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sábado, 26 de maio de 2012

Problemas com o DSM-5?


Uma postagem de Rafael Garcia no blog Teoria de Tudo, da Folha, apontou que existe um sinal de alerta ligado na psiquiatria com a mudança do DSM-IV para o DSM-5.

Manuais de diagnóstico sempre foram motivos de polêmica na psicologia. Necessários na ótica dos psiquiatras e de quem faz avaliação psicológica, por exemplo, são duramente criticados por psicólogos que militam contra uma categorização do sofrimento mental, defendendo que este fenômeno é tão complexo e pessoal que não justificaria um "reducionismo". Discussões à parte, os manuais existem e vão continuar existindo. Talvez o ponto de equilíbrio seja o bom-senso de apontar em quais situações uma boa descrição é necessária para fundamentar um bom tratamento.



Um dos pontos levantados na discussão do DSM-5 é em relação à depressão. A reunião propôs que o luto (tristeza esperada após uma perda real, como o falecimento de uma pessoa da família, por exemplo) fosse inserido como critério diagnóstico na nova versão, coisa que não existia na versão IV. O que acaba sendo polêmica é a consequência: medicalizar o luto pode ser, em alguns casos necessário, mas o sofrimento que faz parte da perda precisa ser, na medida justa, elaborado, para que a vida continue. Por óbvio que a dor não pode permanecer em definitivo, mas viver a dor é também necessário.

Garcia levanta outros pontos polêmicos do novo manual, como o transtorno misto de ansiedade e depressão, que consta na CID-10 (F41.2) mas não no DSM-IV como diagnóstico específico. Este diagnóstico é indicado quando o clínico não identifica com clareza se há predomínio de ansiedade ou de depressão; entretanto, pode-se pensar que este seria um diagnóstico de "exclusão" ou provisório, na ausência de melhores informações.

Alterações que parecem promissoras referem-se à inclusão de categorias de transtornos, como os transtornos neurodesenvolvimentais, os transtornos de eliminação (separados dos transtornos identificados pela primeira vez na infância e adolescência), a organização em duas categorias dos transtornos de fundo sexual (disfunções sexuais e disforia de gênero), e a inclusão de transtornos neurocognitivos. Já foi comentado em outro post  a inclusão no DSM-5 do transtorno disfórico pré-menstrual, distinto dos transtornos de humor, mas a eles relacionado.

A lista para consulta da proposta de diagnósticos do DSM-5 pode ser consultada aqui (em inglês).

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