Pós-graduações IMED 2013

domingo, 13 de abril de 2008

O cérebro reptiliano

Uma das estruturas mais interessantes originadas pelo processo de seleção natural é o cérebro humano. Ao mesmo tempo capaz de realizações que transcendem a biologia, como a criação da cultura, ele é enigmático porque possui uma dimensão primitiva, irracional, que influencia em grande medida nosso comportamento. Mas por que há esse primitivismo?

De acordo com a teoria da evolução, as estruturas que concedem vantagens evolutivas para uma espécie tendem a se reproduzir. Lentamente uma espécie vai passando por modificações, até que, após milhares de anos, pode haver o surgimento de uma nova espécie. Contudo, as espécies que descendem acabam herdando as estruturas dos antepassados, pois elas passaram pelo "teste" da seleção natural. Uma característica ou órgão desaparecem se diminuem as chances de sobrevivência; se não desaparecerem, a espécie é que pode acabar sendo extinta.

Num ambiente, várias podem ser as soluções estratégicas para a sobrevivência das espécies, e cada uma destas estratégias leva em conta a herança e as modificações provocadas pelo ambiente. Por exemplo, se num determinado ecossistema houver o aumento do número de predadores, haverá uma modificação no número de presas; quando estas escassearem, os predadores que tiverem mais facilidade para se adaptar ao novo contexto de presas escassas terão mais chances de sobrevivência, e as espécies menos flexíveis terão suas populações diminuídas.

Com o aumento da complexidade da natureza, o processo de seleção natural acaba constituindo caminhos interessantes como alternativas de sobrevivência. A cooperação parece ser uma destas vias. As espécies que cooperam utilizam formas coletivas de proteção e aviso, e isto faz com que a coletividade passe a se assumir como um tipo de "superorganismo", capaz de realizar funções que individualmente não seriam possíveis. Um exemplo deste tipo de organização são as abelhas; outro exemplo, os seres humanos.

No caso da nossa espécie, contudo, a composição é bastante interessante: ao mesmo tempo que somos capazes de cooperar, temos uma "herança" reptiliana de comportamentos predatórios. Por óbvio que este comportamento teve vantagens evolutivas, pois de outra forma não poderiam estar presentes em nossa espécie, e é essa combinação faz com que nosso comportamento tenha tantas variações. Ao mesmo tempo que somos capazes de construir comunidades, como espécie somos incapazes de deixar de lado comportamentos altamente destrutivos como o preconceito e as guerras. Se a evolução manteve um repertório de comportamentos predatórios, também favoreceu o surgimento de outras estruturas que permitiram o aparecimento do pensamento, da racionalidade e da linguagem. O mosaico está formado.

A irracionalidade de nossos comportamentos remonta às estruturas mais primitivas de funcionamento cerebral, enquanto que o pensamento e a linguagem remontam às estruturas mais recentes: isso explica por que os bebês choram antes de aprender a falar. Durante o processo de desenvolvimento do organismo, gradativamente o lado primitivo de nosso comportamento passa ao controle, ao menos parcial, dos aspectos racionais, e esse movimento permite a conquista da socialização, da mesma forma que estruturas sociais são condicionadas por elementos irracionais. Mas nunca abandonamos a forma de agir "reptiliana", e isso aparece quando o tom emocional de alguma situação exige mais do nosso aparato racional do que ele pode dar. Nesta hora, o réptil que há em nós desperta.

8 comentários:

g a b r i e l e disse...

Pois é. Nos vangloriamos de tantos avanços mas ainda cometemos os mesmos comportamentos primitivos, egoístas, destrutivos. Será que algum dia nos livraremos ou pelo menos controlarmos nosso lado réptil? E quais podem ser as conseqüencias disso?
*viajando*

Muito bom o texto. O "recuo de Deus" também :)

Bruno Philipppsen disse...

Isso lembra um livro que eu inventei de ler no ensino médio: "Inteligência Emocional" do Daniel Golleman (não vai me criticar não! Eu tinha 14 anos!!). Falava que as reações que temos diante do perigo hoje, são as mesma que os homens da caverna tinham diante de um tigre dentes-de-sabre... Mas isso não vem ao caso... Muito bom o texto e traz um bom questionamento: quais serão os comportamentos que são e serão preponderantes na seleção natural atual e futura? Grande abraço Doutor Vinícius!

rayniacron disse...

hoje pude perceber meu cérebro reptiliano se manifestar puramente e livre!
Na situação quando estamos pegando no sono e as manifestações dos sonhos começam.
me veio uma imagem de boca e dentes afiados atacando derrepente.meu cérebro ignorando qualquer tipo de reciocínio lógico(córtex cerebral),levando em conta apenas julgamentos premoldados(cérebro límbico)fez com que minha perna desse um solavanco na tentativa de escapar a ameaça imaginária!
Creio que ainda precisaremos do cerebro primitivo por muitto tempo ainda,talvez por falta de um melhor e mais desenvolvido.

Comerciais de TV disse...

Pois bem, por mais que existam linhas teóricas com visões diferentes de "homem", a irracionalidade é indiscutível. Se ela é fruto de uma herança genética, um repertório comportamental primitivo ou uma pulsão,não podemos nos esquecer que somos iguais a qualquer outro ser vivo deste planeta que luta por sua sobrevivência, a qualquer preço. O que nos difere de outros seres é que, hoje, nossos maiores predadores vivem em nossas fantasias.

egidiocs disse...

Olá!
Concordo com seu primeiro parágrafo. É um argumento e tanto!
Contudo, acho que o seu segundo parágrafo deveria ser revisto cientificamente
"De acordo com a teoria da evolução, as estruturas que concedem vantagens evolutivas para uma espécie tendem a se reproduzir. Lentamente uma espécie vai passando por modificações, até que, após milhares de anos, pode haver o surgimento de uma nova espécie. Contudo, as espécies que descendem acabam herdando as estruturas dos antepassados, pois elas passaram pelo "teste" da seleção natural. Uma característica ou órgão desaparecem se diminuem as chances de sobrevivência; se não desaparecerem, a espécie é que pode acabar sendo extinta."
A evolução se dá em picos, não é uma "curva ascendente", como você diz no texto. Jay Gould teorizou sobre isso em Lance de Dados. A seleção natural também não é um "teste", é o resultado da interação genética e ambiente, e é, de fato, um Lance de Dados. O cair de um meteóro é um cataclisma, e é também um lance de dados: ele é imprevisível. Os que tinham condições de sobreviver, ficaram. Aos que não tinham, extinção é o destino. As características que permitiram a sobrevivência não foram desenvolvidas com esse propósito, os genes não sabiam que iria cair um meteoro na terra há 65 bilhões de anos! E sim, as características que permitiram essa sobrevivência vão se desenvolvendo e criando uma nova configuração de cadeia alimentar e cadeia ecológica, à medida que esse novo mundo se transforma. É um longo período de readaptação. Novas espécies vão surgindo. Outras que sobreviveram, extinguiram-se depois.

Agora eu vou acabar de ler o seu texto, pois vim até aqui para ler sobre o cérebro reptiliano!

Vinícius Ferreira disse...

Olá Egídio e pessoal,

Obrigado pelos vários comentários a este post.

Bem, as pesquisas estão mostrando que a evolução parece atuar de várias formas. Não creio que exista somente um mecanismo, mas as combinações de variações graduais com evolução em salto provavelmente ocorreram simultaneamente. E claro, a análise também depende de quanto tempo estamos falando.

Espero que visitem sempre o blog. Abraços.

Synture Rawa Hahamovici disse...

Excelente material para análise e reflexão! Parabèns! Neste momento,estou a lembrar-me de certos tipos de usuários na web,extremamente arrogantes,negativamente soberbos e muito preconceituosos,que apenas sabem ofender,humilhar,alguns com nível baixíssimo de vocabulário e pobreza absoluta de entendimento - seriam estes bem reptilianos,ou obsedados por reptilianos tenebrosos,atuantes de plano dimensional próximo paralelo,quero crer.De qualquer forma,e respeitosamente,quero aqui consignar que há seres lagartos pensantes,intelientíssimos,criativos,denominados NOOSSAUROS,em nossa linguagem,alguns encarnados neste mundo, e cuja região de origem - uma delas - chama-se Lindissaurian,em Órion - são seres possuidores de nobres atributos e atribuições HUMANOS,muito melhor qualificados evolutivamente,em termos de consciência e comportamento,do que bom número de humanos terráqueos escravizados pela selvageria baixa instintiva,não somente do cérebro reptiliano,bem como de complicadíssimos processos obsessivos astrais-mentais.Os seres obsessores e mistificadores usam particularmente o psiquismo e a ação nefandos de encarnados que se dizem ateus,pessoas querelantes,mergulhadas em todo tipo de crueldade e preconceito.Impende que saibamos distinguir as coisas,pois NEM TODO SER PENSANTE EVENTUALMENTE DESCENDENTE DE SÁURIOS - tendo evoluído em outros orbes - é negativo ou destrutivo.Parabéns,e espero ter colaborado com algo positivo e edificante!

Prof. PADilla disse...

Praticamente tudo o que fazemos depende da comunicação, a qual é ferramenta essencial em qualquer atividade. Paradoxalmente, o seu estudo é omitido na maioria dos currículos... Por que? É o que propomos investigar e responder na TGP: http://www.padilla.adv.br/processo/comunicacao/

Teoria Geral dos Processos: O processo de pensamento! http://www.padilla.adv.br/processo/pensamento