Pós-graduações IMED 2013

domingo, 7 de fevereiro de 2010

10:23

Foi amplamente divulgada pela mídia uma campanha promovida por uma organização que questionava os efeitos de preparados homeopáticos. Os manifestantes ingeriram uma grande quantidade destes preparados, pois a principal crítica contra a homeopatia é que ela, devido às ultradiluições, não teria efeito superior à ingestão de placebo. O resultado da campanha, após uma semana, foi que não houve nenhum efeito observável, nem sequer intoxicação, entre as centenas de pessoas que participaram ao redor do mundo.

Pesquisas à parte, que indicam que a homeopatia não tem em média eficácia superior ao uso de placebo, este movimento parece ter demonstrado de maneira definitiva que os preparados homeopáticos não possuem os efeitos que seus defensores postulam. Entretanto, este tipo de tratamento continua sendo bastante procurado por pacientes, com o argumento de ser natural e menos nocivo do que o tratamento alopático.

Mas o que é a homeopatia? Ela é uma especialização da medicina, e baseia-se em princípios diferentes dos postulados pela medicina tradicional. Um destes princípios é que o semelhante cura o semelhante, ou seja, quando algum tipo de preparado homeopático é capaz de produzir os mesmos sintomas que uma doença, este preparado seria eficaz no tratamento desta patologia. O outro princípio central da homeopatia diz respeito à maneira como os preparados são feitos: quanto mais se diluir uma substância, através das chamadas dinamizações, mais efeito surtiria.

Assim, diversas (ou pode-se supor que qualquer) substâncias poderiam ser consideradas para um preparado homeopático. Na farmacopéia homeopática brasileira, encontra-se uma listagem destas substâncias como possíveis tratamentos de patologia, como por exemplo ácido sulfúrico, cobre metálico, escarro, fezes, pêlos, pus ou raspado de pele ou de unhas (somente para ficar com alguns). A lista pode ser conferida aqui, caso o leitor deseje mais informações.

Existe um outro dado interessante sobre a vida de Hahnemann que é pouco divulgado. Além de aplicar os preparados homeopáticos em si mesmo e em sua família, ele havia contraído malária, também conhecida como febre palustre. As auto-aplicações de Hahnemann foram utilizadas, e ainda o são, como parâmetro para o tratamento de diversas doenças. Mas se ele próprio se aplicava as medicações que produzia, e dizia que elas produziam os sintomas das doenças que supostamente tratavam, temos que refletir se as febres que ele sentia (e febre é sintoma de uma quantidade substancial de patologias) eram realmente devidas à malária ou ao uso de seus preparados. Portanto, é mais provável que os sintomas que ele tinha fossem devidos à malária, que é uma doença provocada por um protozoário e que tem em sua sintomatologia períodos febris e não-febris que podem durar horas ou dias.

Não bastasse isso, existe o problema das ultradiluições. Uma diluição consiste, por exemplo, em pingar uma gota de uma substância qualquer em um veículo, que pode ser água ou álcool, e "dinamizada", ou seja, batida várias vezes para que este veículo adquira as "propriedades dinâmicas" do composto. Mas isso é somente a primeira diluição. Em seguida, pega-se uma gota desta primeira diluição e coloca-se em outro recipiente, com o mesmo volume, e repete-se o processo. Várias vezes: 10, 20, 50, 100, 200, 500 vezes. Quanto maior o número de diluições, mais eficaz seria o preparado. Mesmo os homeopatas dizem que, após um certo número de diluições, não haveria mais presença da substância original da primeira diluição. O que resta é o conteúdo dinamizado, ou seja, uma espécie de "energia" que ficaria presente na solução, e que então teria os efeitos desejados.

A ultradiluição tem uma história interessante. Na época de Hahnemann, utilizavam-se compostos altamente tóxicos, como o arsênico. Como o objetivo do tratamento era curar o paciente, não matá-lo, havia um equilíbrio delicado entre medicar e envenenar. Se fosse encontrada uma forma de utilizar os efeitos terapêuticos da substância sem seus efeitos colaterais, ter-se-ia uma medicação que curaria o paciente. Portanto, as ultradiluições visariam tentar passar para a solução somente os efeitos terapêuticos, sem os efeitos tóxicos. O que não se pensou é que, ao eliminar a substância, também seriam eliminados os seus efeitos. James Randi neste vídeo dá mais detalhes sobre a forma de produção dos preparados homeopáticos.

É importante que as pessoas saibam do que se trata a homeopatia, porque isso pode ser uma questão importante de saúde. Este tipo de atendimento não possui os efeitos que diz ter, e mesmo pode levar a consequências desastrosas, como a morte pelo atendimento inadequado. Recentemente uma menina morreu por ter sido tratada com homeopatia, o que levou à condenação dos pais por homicídio.

Pense nisso quando o que está em jogo é a sua saúde.

Um comentário:

Pablo.pmp disse...

É estranho ouvir que a homeopatia faça efeito ultradiluida. Quando precisamos nos livrar de uma infecção, bactérias, etc. Iniciamos o tratamento sempre com altas doses de medicação, e utilizamos por um determinado tempo, depois é que reduzimos a dosagem. Quando o sistema imunológico não consegue se defender, precisamos de altas dosagens do remédio para ajudar nesta defesa até o organismo conseguir fazer isso sozinho. Como uma medicação ultradiluida poderia ajudar o organismo se a quantidade nem mesmo é suficiente para ser absorvida pelo corpo? Não entendo muito de medicina, mas acho que a ultradiluição não ocorre apenas no frasco do remédio homeopático. Após ingerir este, vai para o estomago, no estomago geralmente tem outros líquidos ou comida, ou seja, a medicação irá disputar espaço com outras substâncias, será mais uma mistura, mais uma ultradiluição, até os órgãos absorverem a propriedade homeopática acredito que ela nem exista mais. Se falei alguma coisa que não está certa, gostaria de saber como ocorre isso dentro do organismo.