Pós-graduações IMED 2013

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Confusão entre depressão e sintomas depressivos

Realizando uma pesquisa em periódicos científicos, encontrei este texto, que faz um apontamento bem relevante sobre a diferença entre depressão e sintomas depressivos.

Embora seja comum na prática dos profissionais da saúde mental o uso do termo "depressão", cabe ressaltar que depressão é um diagnóstico, com critérios bem definidos de acordo com manuais diagnósticos (como a Classificação Internacional de Doenças - CID ou o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana - APA).

Por sua vez, "sintomas depressivos" são apenas os elementos que, em conjunto e por determinado período de tempo, caracterizam o diagnóstico de depressão.

Como professor de psicopatologia, já venho há alguns anos trabalhando com esta distinção, pois observo entre os alunos de psicologia, e entre colegas, o uso inadequado do termo depressão quando na verdade estão se referindo somente aos sintomas depressivos.

A depressão deveria ser utilizada apenas quando há um diagnóstico, ou seja, quando houve uma avaliação clínica, efetuada por um profissional treinado, com conhecimento em psicologia, e preferencialmente com a aplicação de testagens específicas. Fora deste contexto, seria adequada apenas a atribuição de sintomas depressivos.

De forma semelhante, muitos colegas referem-se aos transtornos de ansiedade como se fossem sinônimos de sintomas ansiosos. Igualmente inadequado.

A disseminação na mídia e na linguagem comum de depressão e ansiedade, muitas vezes pela falta de informação qualificada, está atingindo até nossos colegas, que deveriam ter clareza sobre estas diferenças.

Acho importante divulgar esta informação não por preciosismo, mas por clareza. A psicologia somente terá condições de avançar se pudermos eliminar distâncias, e não criando mais trincheiras. O uso de uma linguagem comum contribui para este mister.

4 comentários:

Paulo Gurgel disse...

Vinicius,
Texto objetivo e didático. Aprendi com o tempo a gostar das coisas simples da vida, principalmente em nosso metier acadêmico. E nele falando, divulge, por favor, concurso para Professor Adjunto DE na FACED/UFBA para Psicologia da Educação e Filosofia da Educação. Também há vagas para o Instituto de Psicologia. Mais informações em www.ufba.br

josi disse...

A temática é indiscutívelmente muito adequada. Muito frequentemente me deparo com esse tipo de equívoco, e o que me deixa mais assustada é a fato de encontrar muitos profissionais que parecem não dar importância para essa distinção, o que é realmente preocupante. Por esse motivo, falar, discutir e pensar sobre o tema é muito válido.

Vinícius Ferreira disse...

Olá Paulo, obrigado pelo seu comentário. Espero que possamos contar com sua contribuição no blog mais vezes no futuro. Quanto ao concurso, agradeço as informações, e estou repassando para alguns contatos. Abraço!

Vinícius Ferreira disse...

Olá Josi,

Sim, infelizmente há muitos profissionais que não se dão conta deste equívoco. Diferenciar depressão e sintomas depressivos é tão fundamental quando diferenciar "dor de estômago" de "úlcera péptica"; embora os sintomas possam ser indicativos de uma patologia, é somente o diagnóstico que irá identificar o que está acontecendo com a pessoa.

Obrigado pelo comentário e pela visita ao blog.