Pós-graduações IMED 2013

sábado, 1 de janeiro de 2011

A evolução e as espécies em anel

Por óbvio que um cão é diferente de um gato. Mas quão diferente? Isso vai depender do quanto nos afastamos no tempo em direção de um ancestral compartilhado.


Embora nosso senso comum tenda a atribuir a cães e gatos categorias distintas, na biologia as coisas não são tão simples assim. É um tema instigante de pesquisa compreender o quanto uma espécie se diferencia da outra, diferença que vai muito além da observação morfológica.


De acordo com a definição de Dobzhansky e Mayr, espécies são grupos de populações naturais que estão ou têm o potencial de estar se intercruzando, e que estão reprodutivamente isolados de outros grupos. Assim, espécies diferentes não poderiam cruzar e gerar indivíduos estéreis.


Há, contudo, alguns fenômenos que rompem com o conceito que temos tradicionalmente de espécie. Um deles é diz respeito à capacidade que algumas bactérias possuem para conjugar genes com outras espécies de bactérias. Além disso, no mundo macroscópico, outro fenômeno também questiona nossa visão clássica de espécie, que é o fenômeno das espécies em anel, ou espécie-anel.


As espécies em anel dizem respeito a um conjunto de populações que caracterizariam espécies distintas, mas que estão em contato geográfico. Assim, é possível o inter-cruzamento destas espécies gerando híbridos férteis, mas nem sempre bem adaptados ao seu meio. A disposição em anel, conforme a figura abaixo, mostra que várias espécies, representadas por cores diferentes, podem cruzar com as espécies adjacentes, mas não conseguem fazê-lo com as espécies mais distantes.




Esse fenômeno já foi identificado em peixes (gênero Aulostomus), salamandras (gênero Ensatina) e pássaros (gênero Philloscopus). Embora não seja muito comum, ele existe, e é uma das provas contemporâneas de que a teoria da evolução das espécies é a que melhor explica a evolução dos seres vivos, e ajuda a refutar hipóteses concorrentes, como a do design inteligente.


Além disso, algo semelhante pode ter ocorrido com os seres humanos. É possível que, num passado remoto, espécies dos gêneros Australopithecus ou Homo tenham realizado cruzamento inter-espécie. Assim, a formação do gênero Homo pode ter sido mais complexa do que se imagina.

3 comentários:

Mônica disse...

Ola Vinicius,

Sou estudante de Psicologia e gostei muito do seu blog. Achei por acaso pois ando procurando livros de psicologia em português na Internet. Moro na França e faço a faculdade à distancia, tenho dificuldades às vezes para entender alguns conceitos pois, mesmo se falo francês fluentemente, algo deve acontecer na hora de memorisar coisas em francês. Você poderia por gentileza me indicar livros de psicologia basicos, do primeiro e segundo ano ? Te agradeço desde ja ! Monica.

Vinícius Ferreira disse...

Olá Monica, obrigado pelo seu comentário. Sobre seu pedido de livros, terei prazer em ajudar, mas gostaria de saber um pouco mais sobre as disciplinas que você está tendo no momento, ou já teve, para não indicar nada muito básico ou muito avançado. Espero também que o blog possa ajudar de alguma forma nos seus estudos. Grande abraço!

ALLmirante disse...

Muito interessante seu blog, Vinicius. A lo largo tenho a impressão que a Teoria das Cordas elaborada pela Astrofísica é compatível com as formações elencadas.