Pós-graduações IMED 2013

Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador psicologia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A psicologia não é a ciência da alma

Uma das primeiras coisas que um estudante de psicologia discute na faculdade é a definição de sua futura área de atuação. No primeiro semestre, as disciplinas apresentam um histórico de como a psicologia foi se constituindo, e constata-se que, em seus primórdios, ela era definida como o estudo (logos) da alma ou espírito (psiqué).


De acordo com o professor William Gomes, do instituto de psicologia da UFRGS, o termo apareceu inicialmente como título de um livro publicado em 1590 por Rudolf Goclenius. Na obra, a definição de psicologia refere-se ao estudo da alma, psique ou da mente. A partir daí, o termo começou a se popularizar gradativamente, e em 1879, quando a psicologia como ciência nasce se separando da filosofia, com a criação do laboratório de psicologia por Wilhelm Wund na universidade de Leipzig na Alemanha, ela torna-se a ciência da mente e do comportamento.

Mas é interessante observar que no imaginário das pessoas, e até mesmo de profissionais da área da saúde, persiste a definição da psicologia como o estudo da alma, e vez por outra o encontramos em artigos e entrevistas. Esta conceituação não é a mais adequada, por várias razões. Primeiramente, quando se fala em alma remete-se, em maior ou menor grau, à crença na existência de algo "imaterial", da qual não se tem comprovada cientificamente a existência. Desta forma, como se pode estudar cientificamente algo que não se pode identificar com clareza, nem manipular de alguma forma? Em segundo lugar, existe uma conotação místico/religiosa quando se fala em alma, pois se pressupõe a existência de algo que persiste à vida do corpo. Assim, seria impossível que ateus, agnósticos ou outros que negassem a existência de algo além do corpo pudessem ser psicólogos, pois ou seriam psicólogos, admitindo essa entidade que controla o comportamento, ou não poderiam ser ateus ou agnósticos.

Atualmente, o corpo científico oficial reconhece que o cérebro é responsável pelo controle e manifestação do comportamento. Existe uma base biológica que permite que possamos nos lembrar, pensar, prestar atenção ao mundo, nos relacionarmos com os outros e amar. E essa base, o cérebro, pode ser manipulada e controlada de várias formas, sem que seja necessário considerar a existência de algo supramaterial. Isso não quer dizer que a psicologia é contra as crenças das pessoas; crer em algo pode ser um bom elemento de prevenção de sofrimento mental. Quer dizer somente que é fundamental deixar demarcadas as fronteiras entre as crenças religiosas e espirituais e a ciência. Só assim será possível fazer boa ciência e deixar que as pessoas mantenham as suas crenças, sem conflitos diretos com o conhecimento científico.

Afinal, nunca é demais dizer, religião e ciência são coisas diferentes, tratam de problemas diferentes; se a religião diz como as pessoas devem se comportar para encontrar a paz ou a salvação, a ciência se ocupa de compreender como o mundo funciona. Por estas razões, é mais acertado dizer que a psicologia é a ciência do comportamento, ou da mente, e não o estudo da alma. Ao fazer isso, mantemos cada coisa em seu lugar.

*Publicado no jornal O Nacional, de 16 e 17 de fevereiro de 2013.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Grupo de Discussão em Psicologia

O Grupo de Discussão em Psicologia é um grupo virtual onde são divulgadas notícias na área da psicologia, e se propõe a ser um fórum de notícias e debates referentes à prática psicológica.

Participam do grupo psicólogos, estudantes de psicologia, professores, pesquisadores e interessados no tema de todo o Brasil. Nele são divulgadas notícias, congressos, concursos e postos de trabalho.

Para se inscrever no grupo, basta enviar um e-mail para


Sua participação é muito importante! Vamos fazer deste espaço um campo de divulgação e de valorização da psicologia!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Discurso de formatura da primeira turma de psicologia da IMED - 21/01/2012

Cumprimentando o professor mestre Eduardo Capellari, agradeço o espaço para estas breves palavras, e desejo cumprimentar a todos os presentes nesta cerimônia, já nomeados, e em especial aos professores, funcionários da IMED, pais e familiares dos, agora, colegas psicólogos.

Cinco anos passam rápido, eu sempre disse isso para os vocês quando eram meus alunos. E este é um momento duplamente especial: para vocês, que estão se formando psicólogos, e para a IMED, que lança a primeira turma de psicologia.

Me recordo como se fosse hoje, professor Eduardo, quando conversávamos, nos anos de 2005 e 2006 sobre as possibilidades da abertura de novos cursos para a faculdade, e sobre o que desejávamos sobre a formação dos nossos alunos. Uma faculdade nova e inovadora, cheia de idéias e que pretendia se posicionar com qualidade num mercado cada vez mais competitivo, sendo referência em nossa região e no estado. E posso dizer que, sim, conseguimos. A prova disso são estes 27 alunos que hoje estão plenamente aptos para o mercado de trabalho.

O curso nasceu numa época de mudanças para o ensino de psicologia. Há pouco tempo antes da abertura do nosso curso, o ministério da educação divulgou as novas diretrizes para os cursos de psicologia, que são as referências sobre como as faculdades precisam se organizar. Nos desafiamos e fizemos um curso diferente. A psicologia estava ainda distante das necessidades das pessoas, elitista. Hoje está mais próxima, mas muito ainda precisa ser feito. Nossos novos colegas psicólogos estão cientes destes desafios, e eu tenho certeza de que eles toparão e serão plenamente bem-sucedidos.

E assim começou o curso, com uma proposta diferente, e que os alunos puderam sentir desde o primeiro dia. Sempre buscamos aliar a teoria com a prática, e isso foi feito pelos estágios obrigatórios e não obrigatórios, que foram procurados e solicitados por vocês. Nossos professores sempre se esforçaram para dar o melhor em sala de aula, dividindo, compartilhando e construindo o conhecimento do comportamento humano com vocês. Gostaria de agradecer, profundamente, o trabalho, o empenho e a confiança na proposta de uma psicologia atual e preocupada com a pessoa que nossos professores sempre tiveram, e continuarão tendo de forma renovada. E saibam, colegas, que nós professores aprendemos lições valiosas com vocês, que levaremos para sempre em nossa trajetória profissional.

Esta turma é inovadora, não apenas por ter confiado numa instituição que estava abrindo suas portas, mas porque vocês realmente fazem a diferença. É muito gratificante para nós professores ver o seu interesse, dedicação e curiosidade, manifestado na participação de nossas atividades extraclasse, dos congressos, seminários, ganhando premiações fora da IMED e investindo na carreira acadêmica. Temos a felicidade de saber que vários formandos já estão empregados nos locais onde desenvolveram suas atividades de estágio. Cabe ressaltar e parabenizar aqui os quatro alunos que foram aprovados em programas reconhecidos de mestrado na Unisinos e na Unijuí, apontando que sua qualificação já supera a de profissionais formados e no mercado.

O que dizer agora, nestes momentos de despedida, turma? Vocês são nossos filhos, que agora estão prontos. Nossos primeiros filhos. E as coisas são sempre marcantes com os primeiros filhos, não é mesmo? Tudo é novidade... Como dizem os estudiosos de família, vamos passar sim pelo ninho vazio. Sua alegria, sua curiosidade, sua dedicação e inovação vão dar saudades. Mas as portas da casa materna e paterna sempre estarão abertas. Voltem para nos ver, nos tragam novidades, deixem que compartilhemos de seu crescimento pessoal e profissional. Estamos, como sempre estivemos, de braços abertos para vocês, que agora, psicólogos, vão ganhar o mundo.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Manual prático de terapia cognitivo-comportamental

Foi lançado ontem no Auditório Central da Faculdade Meridional / IMED o livro "Manual prático de terapia cognitivo-comportamental", organizado pelas professoras Margareth da Silva Oliveira e Ilana Andretta.

A obra tem como objetivo apresentar os fundamentos teóricos das Terapias Cognitivo-Comportamentais e exemplos de sua aplicação no cotid
iano da clínica, fornecendo um panorama geral dos modelos de tratamento de diversas psicopatologias.




O livro possui capítulos de autoria dos professores da IMED, Vinícius Renato Thomé Ferreira e Márcia Fortes Wagner, e constitui-se livro-texto para estudantes de psicologia e psicólogos que trabalham com a psicoterapia cognitivo-comportamental.

O livro pode ser adquirido no site da Casa do Psicólogo.

Confira as fotos do evento!





segunda-feira, 13 de junho de 2011

Lançamento do livro Manual Prático de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental

A Faculdade Meridional - IMED tem o prazer de convidar a todos para a palestra sobre clínicas-escola e para o lançamento do livro "Manual Prático de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental", organizado por Margareth da Silva Oliveira e Ilana Andretta.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Seminário de Psicologia da IMED - Atendimento Clínico de Casal e Família

Estamos divulgando o Seminário de Psicologia da IMED, a ser realizado entre 18 e 20 de maio deste ano na IMED, em Passo Fundo.

Mais informações podem ser obtidas em www.imed.edu.br ou pelo telefone 54 3045-6100.




domingo, 1 de maio de 2011

Qualidade da produção brasileira em ciências humanas e sociais

O editorial da Revista de Administração de Empresas desenvolve um tema que já abordamos na postagem Contexto das pós-graduações stricto sensu em psicologia no Brasil, e que merece a atenção dos pesquisadores brasileiros.

Segundo o editorial, embora a produção científica brasileira tenha aumentado, obviamente isso não ocorreu de forma equilibrada. Há uma produção significativa nas áreas biotecnológicas, enquanto que as ciências humanas estão mais atrasadas, especialmente ciências sociais, economia e negócios. Essa tendência está de acordo com nossa análise, já mencionada acima.

Além disso, a qualidade das publicações nas áreas humanas necessita ser aprimorada. Isso pode ser avaliado pelo índice de impacto das publicações. A boa notícia é que, mesmo que em volume a produção em psicologia não tenha crescido tanto, em impacto já está melhor.

Contudo, há ainda muito a ser feito. Algumas estratégias precisam ser consideradas, como por exemplo, reduzir um viés ideológico, que aparece muito nas ciências humanas, na elaboração de uma pesquisa sobre o comportamento, pois a ideologia pode ser um elemento que torne o método e/ou a análise obscura.

É importante também que os psicólogos que pesquisam divulguem mais seus achados para o público leigo, traduzindo em linguagem acessível as descobertas realizadas. Além de divulgar o conhecimento psicológico, ainda muito restrito, também servirá para a valorização da profissão.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Contexto das pós-graduações stricto sensu em psicologia no Brasil

Conferindo o status atual dos programas de pós-graduação em psicologia no Brasil, através da lista da CAPES que mostra a avaliação de 2010 (disponível aqui), pode-se observar o cenário da psicologia, que traz alguns elementos interessantes para análise.

A classificação genérica dos programas foi a que mais ocorreu na lista da CAPES de 2010. Dos 61 programas, 33 deles, que corresponde a 54,09%, são designados como em Psicologia. Em segundo lugar, com 9,83% (6 programas) estão os programas em psicologia social e em terceiro lugar, com 8,19% (5 programas), os programas em psicologia clínica. Os demais programas, que somam 27,89% (17 programas), possuem uma definição menos genérica, apresentando de forma mais precisa seu foco de atuação.



Os programas avaliados em 2010, em sua maioria (33, correspondendo a 54,09%) são programas de mestrado e doutorado. Em seguida, há 26 programas (42,62%) somente de mestrado acadêmico, um de mestrado profissionalizante e um somente de doutorado (correspondem, na soma, a 3,27%).



Em relação aos conceitos, a distribuição mostra que 37,70% dos programas (23) possui conceito 4, sendo a maioria das avaliações. Em seguida, estão os programas com conceito 5 (17 programas, correspondendo a 27,87%), e conceito 3 (15 programas, com 24,59%). Somente 4 programas em psicologia avaliados em 2010 (6,56%) possuem conceito 7, alcançando nível internacional.



Sobre a distribuição geográfica, a maior parte dos programas de pós-graduação stricto sensu em psicologia está localizado na região sudeste, com 45,90% (28 programas), seguido pela região nordeste (19,67%, representando 12 programas) e pela região centro-oeste (16,39%, representando 10 programas).



Os programas mais bem avaliados pela CAPES situam-se, da mesma forma, na região sudeste (com 3 programas com conceito 7 e 9 programas com conceito 5) seguido pela região nordeste (com 5 programas com conceito 5). Fora da região sudeste, somente a região sul possui um programa de pós-graduação stricto sensu com conceito 7.



Finalmente, comparando a porcentagem de programas de pós-graduação em engenharia, que pela CAPES é o que possui maior número de avaliações com conceito 7 (15,38%, correspondendo a 18 programas), os programas em psicologia com conceito 7 respondem somente por 5,98% (4 programas), equiparado em número e porcentagem aos programas de pós-graduação em literatura/linguística e geografia.



*Pode haver alguma pequena discrepância neste gráfico, visto que ele sintetiza algumas áreas por proximidade (p. ex., os vários cursos relacionados com a área da agronomia foram reunídos sob o rótulo de Agronomia).

Assim, em comparação com áreas mais tradicionais, a psicologia brasileira ainda carece, e em grande medida, de programas de pós-graduação que tenham qualidade reconhecida internacionalmente.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

IV Seminário de Psicologia da IMED - 29/09 a 1/10/2010



*Agradeço aos alunos, especialmente à Gabriele Albuquerque, pela realização e edição deste video.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A inteligência e a evolução

É impressionante ver como a inteligência é um tópico que motivou pesquisas na psicologia. Pode-se dizer que desde sempre a humanidade identificou diferentes potenciais para o processamento de informações e a resolução de problemas; contudo, foram nos séculos XIX e XX que o tópico ganhou velocidade, graças ao nascimento da psicologia como ciência e da criação e aplicação de métodos quantitativos na pesquisa. Apesar disso, a inteligência ainda é um tópico muito controverso, que suscita algumas reflexões.

Em primeiro lugar, cabe definir o que é inteligência, e aqui os problemas mais ásperos começam. É fácil montar um teste "de inteligência", aplicar e corrigir, mas é difícil argumentar que aquilo que os resultados mostram é de fato algo chamado inteligência. Qualquer pessoa tem condições, consultando a literatura psicológica, de constatar que não existe uma definição sequer consensual. Uns definem como a capacidade de resolver problemas matemáticos; outros, problemas linguísticos, outros, para a utilização de ferramentas. Há pesquisadores que construíram hierarquias para estudar a inteligência, colocando alguns fatores como prioridade sobre outros. Desta forma, com esta profusão de modelos, fica difícil pensar em uma teoria geral da inteligência, mesmo porque "geral" é um termo que também precisaria ser definido com mais clareza.

Em segundo lugar, o que os testes medem? Habilidades. Quando montamos um teste psicológico, ele serve como ferramenta para averiguar o desempenho que uma pessoa tem sobre um conjunto de problemas. Se o teste visa identificar quanto tempo uma pessoa demora para montar um quebra-cabeças, esse teste pode ser chamado de teste motor; se diz respeito a responder preenchendo lacunas com as palavras adequadas, pode ser de lógica ou de linguagem. Mas mesmo que um teste mensurasse um número incrível de habilidades, mesmo assim ele mensuraria a inteligência?

Então, é perda de tempo estudar a inteligência? Não. O que talvez seja necessário fazer é uma revisão de definições. Estamos tão acostumados com termos como inteligência e personalidade, que fazem parte do nosso dia a dia, que temos dificuldade em definir o que eles realmente são. Talvez sejam termos que expliquem muito pouca coisa, ou mais tragam confusão do que clareza.

A evolução fez surgir em nossa espécie uma capacidade para solução de problemas, o que para muitos pode ser definido como inteligência. Mas a evolução nunca teve como propósito a construção da inteligência; ela aconteceu através das pressões seletivas ocorridas. Foram estas pressões, ao longo da existência dos nossos antepassados humanos e não-humanos, que nos dotaram com um conjunto de habilidades neurológicas que permitiram resolver diversos problemas relacionados com a sobrevivência: busca de alimento, proteção e reprodução. Assim, se definimos inteligência como o conjunto de habilidades para resolver problemas e compreender o mundo, podemos concluir que, na verdade, inteligência é um termo bastante genérico, e seu poder explicativo é artificial. E quanto mais genérico for um termo, mais impotentes serão nossos esforços para tentar defini-lo e estudá-lo com clareza. Isso explicaria, em parte, porque a "inteligência" é ainda um tema tão controverso.

domingo, 1 de novembro de 2009

Limites dos testes psicológicos

Uma das principais áreas de investimento e estudos da psicologia é a da testagem psicológica. Existem no mundo centenas de milhares de testes, que avaliam várias características e habilidades, tais como memória, atenção, raciocínio lógico e aspectos afetivos. Entretanto, apesar de serem ferramentas importantes, os testes psicológicos não são instrumentos inquestionáveis, por várias razões.


Em primeiro lugar, um teste está baseado em uma teoria. Se o objetivo é mensurar a capacidade para recordar informações, é necessário que exista uma teoria sobre como a memória funciona para depois podermos avaliar suas propriedades, e assim por diante para as demais funções mentais. Entretanto, a psicologia dispõe de inúmeras teorias sobre as funções mentais e o comportamento humano. Se cada uma destas teorias propuser a construção de testes para avaliar o comportamento, teremos no fim um número significativo de testes. O problema está em que, quando um teste é construído a partir de uma teoria, fica bastante difícil que um profissional orientado por outra teoria possa utilizar estes dados, pois a explicação sobre o que está sendo estudado é via de regra bastante diferente. Portanto, cada teoria psicológica pode ter reforçada sua posição como uma "ilha", relativamente isolada no oceano do estudo do comportamento.


Outra questão, agora intra-teórica, consiste no problema da interpretação do teste. Uma boa interpretação só terá sentido se for feita dentro da teoria onde o teste foi construído, como já mencionamos acima. Isso pode se constituir eventualmente numa fragilidade, pois são muito variáveis as possibilidades de interpretação, e é quase regra que, dentro de uma mesma teoria, haja muitas vertentes e modelos (a psicanálise é o caso clássico). Portanto, mesmo que um teste seja construído por um referencial teórico, as variações intra-teoria devem ser consideradas na interpretação.


Cada teste possui uma metodologia de construção. Os testes projetivos visam avaliar características subjetivas dos avaliados, tais como dinâmicas intrapsíquicas e mecanismos de defesa. Os testes psicométricos possuem uma estruturação diferenciada, orientada pelas ferramentas estatísticas. Para estes, existe um rigor estatístico que precisa ser observado. Por exemplo, um teste psicométrico está baseado nas respostas de um número significativamente grande de pessoas, pois isso aumenta o seu poder de avaliação. Precisa ser válido também: um teste de atenção deve realmente mensurar a atenção, e não outra coisa, senão não será útil (e aqui uma boa teoria faz toda a diferença). Deve ser fidedigno, ou seja, precisa ser estável, capaz de continuar mensurando uma característica por um tempo considerável, e ser preciso, que se reflete na capacidade de dar um "valor" adequado àquilo que está sendo medido. Desta forma, quando o teste for aplicado numa pessoa, suas respostas serão comparadas com as outras que já foram emitidas a ele e servem como referência. Para regulamentar e fiscalizar a qualidade dos testes, o Conselho Federal de Psicologia desenvolveu o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), que avaliou vários testes disponíveis no Brasil e possui uma listagem daqueles que são considerados favoráveis para aplicação.


Mesmo que um teste seja bem construído e baseado numa teoria consistente, de nada adiantará se a pessoa que o aplicar não tiver o treinamento adequado. Um teste não pode ser aplicado de qualquer forma em qualquer situação: o desempenho de uma pessoa avaliada por um teste de atenção será certamente prejudicada se as situações ambientais não forem favoráveis (por exemplo, se houver muitos ruídos na sala, movimentação de pessoas, etc.). Assim, um bom treinamento do avaliador é fundamental para a qualidade da realização da testagem.


Finalmente, um teste somente não é capaz de avaliar vários aspectos de uma pessoa. Não tem sentido nenhum aplicar somente um teste numa pessoa e ter a pretensão de que isso diga "tudo" sobre ela. Os testes existem para avaliar habilidades e características específicas, pois um teste de atenção nada dirá sobre a vida afetiva de uma pessoa ou suas habilidades interpessoais. Fazer este tipo de interpolação é totalmente inadequado.


Apesar destas observações, os testes psicológicos se constituem numa ferramenta fundamental para o trabalho do psicólogo. Como instrumentos construídas pelo homem, possuem limitações. Mas desde que estas limitações sejam conhecidas e controladas pelos profissionais, eles continuarão sendo bastante eficazes e capazes de traduzir características e motivações do comportamento humano.

sábado, 27 de junho de 2009

O Cérebro e a Mente (II)

Seguindo o raciocínio do último post, onde se discutiu o problema da dicotomia mente-corpo, a entrevista com o médico fisiatra John Sarno faz uma importante relação entre o fenômeno da dor e suas causas.

Muitos pacientes na clínica médica reclamam de dores que não são bem explicadas por nenhuma patologia orgânica definida. Isso gera por um lado uma busca gigantesca por novos diagnósticos, ao mesmo tempo em que pode gerar um preconceito contra o relato dos pacientes que não "colaboram" com o tratamento. Contudo, geralmente se esquece as relações entre mente e corpo, que por serem invisíveis na clínica médica não são levadas tão a sério como causa da dor.

Os achados de Sarno apontam que as vivências emocionais traumáticas de etapas anteriores da vida podem efetuar registros no sistema nervoso central, a ponto de baixar o limiar de dor. A recuperação e a vivência destas experiências podem levar a um alívio dos sintomas e a um resgate da qualidade de vida do paciente. Para finalizar: a psicanálise já cantou esta pedra há cerca de 100 anos, não sendo novidade na área psicológica.

domingo, 29 de março de 2009

Os dois cérebros

É impressionante o relato da neurocientista norte-americana Jill Bolte Taylor sobre a experiência de um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Ela acordou um dia e percebeu que estava tendo um derrame, e esta experiência proporcionou-lhe uma visão bem distinta sobre o funcionamento do cérebro e a relação entre os hemisférios esquerdo e direito.

De forma sucinta, o hemisfério esquerdo processa as informações relacionadas com os componentes racionais-cognitivos, enquanto que o hemisfério direito realiza a integração de outros estímulos, não-racionais. A integração entre estas duas partes permite que nós nos relacionemos com o mundo como fazemos.

Entretanto, a experiência vivida por Taylor mostra como seria se nossa parte esquerda, racional, fosse "desligada" momentaneamente. O aspecto racional da análise das coisas seria fortemente suprimido, e o lado "sentimental" tomaria predominância na forma como percebemos e nos relacionamos o mundo.

Pode-se dizer que a descrição da experiência se aproxima de uma experiência mística; são relatados sentimentos de perda do "eu" e uma sensação de unidade com o Universo. Portanto, é interessante questionar se a predominância do funcionamento do hemisfério direito poderia favorecer as experiências religiosas.

O conteúdo da experiência de Taylor pode ser visto aqui.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

As bruxas e a mente

Pêlos de aranha são úteis para a adivinhação do futuro, desde que combinados com os elementos certos; senão, nada aparece ao vidente, ou pior, pode revelar aspectos sombrios da criação. Da mesma forma, é possível que os astros, localizados a trilhões de quilômetros, também influenciem o comportamento. Irreal? talvez a diferença entre essas duas proposições seja que menos pessoas acreditam na primeira, sobre os pêlos da aranha, do que sobre a influência dos astros, também conhecida por astrologia.

Essas e outras crenças por muito tempo guiaram as pessoas como referência de comportamento. Ainda hoje há quem acredite que os astros influenciam o destino das vidas humanas. Mas como os astros poderiam influenciar o comportamento das pessoas? Pela gravidade, ora. Mas Carl Sagan, na série Cosmos, mencionou que o médico que faz o parto de uma criança exerce muito mais força gravitacional sobre ela no momento do nascimento do que, por exemplo, Plutão (que não é mais considerado planeta, mesmo que os astrólogos continuem considerando-no com a mesma importância de antes): isso porque a distância é um dos parâmetros para a mensuração da força gravitacional. Portanto, este médico teria mais condições de determinar o futuro da criança do que a influência de um planeta.

Da mesma forma, muitas idéias sobre a mente e comportamento estão mudando. Cada vez mais se conhecem as relações entre a mente e o cérebro, identificando setores responsáveis, por exemplo, por sentimentos de raiva, autocontrole e a consciência. Assim, lentamente velhas crenças sobre o comportamento são substituídas por uma visão científica. A ciência nunca vai explicar tudo, mas um conhecimento mais preciso sobre o comportamento humano sempre é mais satisfatório que um conhecimento mais amplo e impreciso. Mas um dia as bruxas deixarão de rondar a psicologia?

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O software mental

Muitas vezes a mente humana foi comparada a um computador. Guardando as devidas proporções, ela é de fato um órgão computacional, responsável pelo gerenciamento das informações produzidas pelo corpo e por ela própria. Entretanto, por mais complexa que a mente seja, é um produto da evolução do cérebro, seu órgão-sede.

De forma diferente de um programa de computador, mente e cérebro foram se auto-organizando com o processo da evolução da espécie humana. Ao longo das eras, percebe-se uma organização cada vez mais complexa, desde os organismos do reino monera até os animais, passando pelos reinos protista, fungi e vegetal. Quanto mais complexo o organismo se torna, buscando nichos diferentes de subsistência, maior é a necessidade de uma estrutura que receba adequadamente as informações exoceptivas e proprioceptivas e processe-as com agilidade e precisão. Podemos dizer que no organismo humano a mente não necessariamente é tão precisa assim nos processos perceptivos, mas de longe possui uma habilidade que nenhum outro organismo possui: a flexibilidade para o processamento da informação.

Mecanismos mentais como os sentimentos, os processos lógicos de raciocínio e tomada de decisões são resultados do processo evolutivo da espécie humana que, de alguma forma, proporcionaram pequenas vantagens evolutivas, e em vista disso permaneceram. Desta forma, estrutura (cerebral) e função (mental) foram modelados pelas contingências da sobrevivência e se adaptaram mutuamente. Podemos então dizer que, se o cérebro é uma espécie de "computador", é de um tipo muito especial, pois hardware e software foram se constituindo simultaneamente.

A psicologia, neste sentido, pode ser vista como engenharia reversa, buscando identificar, a partir das funções desempenhadas pela mente, a finalidade que esta função desempenhou ao longo do processo de evolução da espécie humana e que favoreceu a luta pela sobrevivência. Esse conhecimento é de utilidade fundamental para a psicologia clínica, visto que é pela compreensão da estrutura de funções como auto-estima, apego, egoísmo e altruísmo que se poderá compreender o estabelecimento de transtornos mentais.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A psicologia "de dentro" e "de fora"

A psicanálise nasceu dos esforços de Freud para compreender um transtorno chamado de histeria. Abandonando a hipnose, precisou criar outro método de tratamento e investigação que a substituísse de forma satisfatória. Formulou o princípio da associação livre, e como desdobramento deste, o da transferência. Analisou os sonhos dos pacientes, coisas que antes eram consideradas uma espécie de "lixo" psíquico, e criou uma nova disciplina, que chamou de psicanálise.

A psicologia acadêmica tinha outros propósitos. Preocupada em analisar o comportamento humano pelos métodos das ciências naturais (observação e experimentação controlados), amadureceu como ciência graças às contribuições de Skinner no século XX. O behaviorismo influenciou, e influencia ainda, a educação, e propõe que são os elementos ambientais aqueles que modificam o comportamento.

Freud e Skinner: dois gigantes. Um enfatizando a dimensão pessoal, intrapsíquica, e o outro, o ambiente. Cada um de um lado de um precipício. Seus seguidores, mais talvez do que eles próprios, se ocuparam mais em garantir que esse fosso continuasse como estava. Seria possível, ou desejável, encurtar essa distância? A quem seria bom que isso acontecesse?

Os avanços na neurociência e o nascimento da psicologia cognitiva podem criar as pontes necessárias para aproximar estas bordas. Embora muito ainda reste por ser feito, alguns esforços incipientes estão mostrando que a divisão exterior-interior é arbitrária, conceitual, e pode tanto ser mantida como pode ser eliminada. Não é suficiente uma teoria que seja "exclusivamente" clínica, nem "exclusivamente" teórica. Enquanto se pensar assim, sem a construção de pontes, os maiores prejudicados são aqueles que deveriam ser os beneficiados.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

O organismo vazio

O behaviorismo radical de B. F. Skinner é chamado também de "abordagem do organismo vazio". Isso acontece porque nesta teoria sobre o comportamento humano são ignorados elementos referentes à "mente": se os elementos mentais não podem ser observados, eles não podem conseqüentemente ser objeto de análise científica.

Torna-se claro que este posicionamento é alvo de críticas de outras perspectivas, por exemplo o cognitivismo, que postula que a mediação dos processos de pensamento é fundamental na regulação do comportamento. Não seria possível, nesta crítica, que todo o comportamento fosse regulado exclusivamente pelos elementos ambientais através dos sistemas de contingências (reforços) porque processos como a memória, o pensamento e a linguagem modelam e oferecem soluções para as diversas situações pelas quais passamos.

Obviamente os processos mentais, definidos como a capacidade de processar de forma diferenciada informações provindas do exterior e do interior do organismo, são agentes reguladores centrais do comportamento. Mas queremos nos deter no seguinte aspecto: o que seria uma abordagem "cheia" do organismo? o que seria este cheio em contraposição ao suposto "vazio" skinneriano?

Quando se fala em vazio pensa-se em cavidade. Não é o caso do cérebro, a não ser que estejamos nos referindo aos ventrículos... falar num organismo vazio como propõem os críticos significa falar que há uma ausência, no caso, uma ausência de ser pensante. Mas pensar num organismo "cheio" implica em se perguntar: cheio de quê? Talvez implicitamente a isso esteja uma imagem de uma pessoa "morando" dentro do corpo ou do cérebro, "vestindo" a roupa da pele, ocupando um "espaço" e realizando as funções do pensamento, memória, etc. Seria cheio porque haveria um morador, alguém que dá uma identidade e uma consciência a cada organismo.

É sabido que os processos mentais regulam e são regulados por mecanismos fisiológicos. Se somos constituídos de neurônios que dependem de um equilíbrio fisiológico para permanecerem vivos e processando informação, ainda resta a questão de saber o que é este ser pensante, e se ele existe, onde está. Tão problemático quanto considerar um "organismo vazio" é postular a existência de um "organismo cheio". Mesmo que seja mais confortável pensarmos que existe um "alguém" em nós, torna-se cientificamente e filosoficamente complicado explicar o que ou quem seria este alguém. Mas se somos o produto de processos cognitivos, se nossa consciência depende do funcionamento de estruturas cerebrais para existir, talvez Skinner não estivesse tão errado assim.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

A não-ciência psicológica

A ciência é um dos principais mecanismos que temos para conhecer o mundo de uma forma segura, diferente das outras formas de conhecimento. Entretanto, os conhecimentos obtidos pela aplicação de uma racionalidade metódica muitas vezes contradizem os nossos desejos e expectativas, mostrando uma realidade às vezes muito dura. A história da medicina, por exemplo, tem mostrado que muitas crenças mantidas por séculos ou milênios foram derrubadas quando os dados exigiram novos mecanismos explicativos. Acreditava-se no século XVIII que miasmas eram responsáveis pelas infecções, mas depois da descoberta dos microorganismos essa teoria simplesmente foi ultrapassada. Mas não sem brigas: foi necessário que uma nova geração de biólogos viesse para aceitar essas idéias. Os fatos biológicos derrubaram as especulações.

Isso funciona muito bem para a biologia e para as ciências naturais de uma forma geral, mas nas ciências humanas, e no caso da psicologia especialmente, os fatos parecem ter uma importância relativa. Melhor dizendo: é possível estabelecer "fatos" a partir de teorias, e não o contrário. Se as teorias inicialmente serviram para explicar um determinado conjunto de fenômenos (como a teoria do complexo de inferioridade de Alfred Adler), depois acabam por formatar o pensamento, fazendo com que os estudiosos do comportamento humano se esforcem para buscar no paciente atendido algum vestígio da teoria. Ao invés de buscar dados que fundamentem a teoria, corre-se o risco de usar a teoria para achar dados no paciente. Isso porque os fatos psicológicos estão muito mais sujeitos à diferentes interpretações, por possuírem uma estrutura abstrata. É certo que a teoria, depois que os dados são compreendidos, possui um potencial de previsão nas ciências naturais, mas como separar, no caso das ciências humanas, previsão de dados e crença numa teoria?

As diversas teorias psicológicas, apesar de trazerem uma fertilidade interessante de idéias para a psicologia, acabam gerando confusão. A ausência de um pilar central, de uma teoria que possa responder de forma satisfatória explicações sobre o comportamento humano através de uma metodologia científica faz com que a psicologia não assuma um aspecto científico. E há mesmo quem diga que não é possível estudar o comportamento pela ciência... A psicologia assim não se configura uma ciência do comportamento, a não ser que estejamos falando do behaviorismo e da psicologia cognitiva, e sem ser ciência não é possível pensar em avanços sólidos em algum campo do conhecimento. Talvez o principal problema na transformação da psicologia numa ciência não seja que seus "dados" sejam abstratos, mas sim que a postura do estudioso do comportamento humano não seja uma postura, via de regra, científica.

Existem idéias que geram certa repulsa nos estudiosos do comportamento humano. Muitas vezes observamos um tom de incredulidade ou mesmo rejeição de idéias que em outros campos do conhecimento já são tidas como referência. Uma delas é a aceitação da mente como um produto evolutivo, proposição derivada diretamente da teoria da evolução de Darwin. Considerar a mente como um resultado da evolução, que é cega, acaba sendo um duro golpe em pessoas que preferem acreditar na "subjetividade" como se fosse uma entidade que existisse por si só, quase de forma independente do corpo. Não investigar os fundamentos da mente humana a partir de referências já consolidadas em outros campos da ciência, ou desprezar esses conhecimentos, fará com que a psicologia ainda permaneça num estágio pré-científico, e sem poder gozar de um status que a coloque como uma ciência válida e útil.

sábado, 21 de julho de 2007

O problema Darwin

Grande parte das pessoas já ouviu falar da teoria da evolução de Charles Darwin. Sua contribuição para as ciências biológicas foi a formulação de uma teoria sobre o surgimento dos espécimes, concorrente com a de Jean Baptiste Lamarck. Enquanto Lamarck defendia que os seres vivos se modificavam pelo uso de seus membros e órgãos, e que esse funcionamento para mais ou menos passava de geração a geração, Darwin partiu de outra premissa: não é o uso dos órgãos que favorece ou não a modificação de uma espécie, mas a funcionalidade deste órgão ou característica, que permitiria duas coisas: maiores chances de sobrevivência e mais oportunidades para a reprodução.

Até aqui, tudo bem. Se raciocinamos sobre a teoria de Darwin, que é a mais amplamente aceita na comunidade científica apesar de detalhes teóricos que ainda não foram resolvidos, podemos aceitar que ela oferece uma explicação coerente sobre o surgimento e o desenvolvimento da vida no planeta. Em suma, ela propõe que não existe uma meta final para a vida, mas sim que esta vai se construindo um pouco a esmo, ao sabor de acasos e acidentes, sempre visando a maior probabilidade de transmissão das características que tornam um organismo mais bem adaptado a um determinado meio. Até se pode aceitar esses mecanismos para os seres vivos, mas isso acaba trazendo problemas sérios quando falamos dos seres humanos.

O surgimento e evolução da espécie humana ainda possui lacunas importantes. Entretanto considera-se na comunidade científica que a espécie humana é uma como as outras demais, e que também passou pelo processo de evolução. Assim sendo, é pacífico considerar que também fomos vítimas de acasos, acidentes e manipulações do meio para que hoje sejamos a espécie que somos. Isso traz problemas sérios para nossa auto-imagem, pois nos desenvolvemos acreditando que somos especiais porque fomos criados por um ser inteligente. Admitir os processos evolutivos como constituidores de nossa estrutura física pode ser até aceitável, mas é difícil considerar que mesmo nossas habilidades mentais, produto de nosso funcionamento cerebral, também é um produto da evolução, porque isso nos destitui de um lugar onde gostamos de achar que estamos, no topo da criação.

Claro está que nenhuma outra espécie conhecida possui um grau de auto-consciência nem capacidade de raciocínio como a nossa, mas isso não significa necessariamente que somos assim graças a uma intervenção supra-natural ou que houve algo como um "projeto" que constituiu nossa espécie como nos apresentamos hoje. Se já é difícil considerar que não somos conscientes de muito do que ocorre em nossa estrutura mental, é difícil também considerar que só somos o que somos graças a um conjunto fortuito de eventos não relacionados entre si. Mas pode haver um benefício em raciocinar assim: nos tornamos mais humildes perante o que somos para nós mesmos, e as diferenças entre nossa vida e a dos outros seres vivos acabam minimizando. Assim podemos nos tornar mais responsáveis, não por causa de um desígnio divino, mas por puro e simples reconhecimento de que não somos mais do que nenhum outro ser.